Armando Monteiro Neto inicia dia 16 o segundo mandato à frente da casa
da indústria, em parceria com o primeiro vice-presidente, Paulo Skaf,
de São Paulo.
Brasília – O Brasil só voltará a crescer em ritmo acelerado
se a sociedade, o governo, o Congresso Nacional e o setor produtivo fizerem
um pacto pela aprovação das reformas necessárias à modernização institucional
do país.
A afirmação é do presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal
(Fibra), Antônio Rocha, que na próxima segunda-feira, 16 de outubro, tomará
posse na diretoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
“A agenda do Brasil é complexa”, diz. Segundo ele, o principal desafio
da diretoria da CNI é trabalhar para que o país promova as reformas tributária,
trabalhista, sindical e da Previdência.
Além disso, os diretores se empenharão em mostrar à sociedade os ganhos
que o país terá com a redução dos gastos públicos, o aumento dos investimentos
em infra-estrutura, inovação e pesquisa e a superação de outros obstáculos
que impedem o crescimento econômico.
“Temos uma tarefa árdua, mas não impossível”, acredita o líder empresarial.
O presidente reeleito da CNI, Armando Monteiro Neto, ressalta que a entidade
tem desafios nos dois campos de atuação, o interno e o externo.
“Temos de consolidar os avanços no processo de transformação do Sistema
Indústria, que agora tem um planejamento integrado, que pretende elevar
o desempenho da entidade”, conta.
No plano externo, Monteiro Neto diz que o foco principal é a busca do
crescimento econômico do país. “Essa é a questão central para nós, o Brasil
precisa voltar a crescer. E a nossa bússola para isso é o Mapa Estratégico
da Indústria”, reforça.
A indústria brasileira lidera o movimento para o crescimento contínuo
e sustentável do país no período de 2007 a 2015. Para tanto, formulou
o Mapa Estratégico da Indústria, ponto de partida da agenda da CNI para
os próximos anos. Com base na definição de metas para indicadores-chave,
a entidade identificou diversos desafios a serem enfrentados para entrarmos
num ciclo de crescimento sustentado. E sem uma visão de longo prazo, não
haverá como criar as condições necessárias para reverter o atual quadro
indesejável de quase paralisia da economia: alta de apenas 0,7% ao ano
da renda per capita na última década.
A partir dos objetivos identificados no Mapa Estratégico, foram escolhidas
10 prioridades ou 10 campos principais de atuação para os próximos anos,
em que melhorias podem se transformar em resultados significativos em
termos de desenvolvimento econômico e social.
Dez prioridades
A primeira delas é a redução do gasto público, maior problema do Estado
brasileiro contemporâneo. Menos gastos e mais eficiência do Estado liberam
recursos para o setor privado crescer, sendo que a menor necessidade de
financiamento das contas públicas ajuda na queda das taxas de juros. Além
disso, tendo de gastar menos com juros de dívidas o Estado tem mais condições
de investir, principalmente em infra-estrutura.
Reforma tributária vem logo a seguir. As atuais distorções do sistema
tributário, que taxa exportação, investimento e poupança, causam impactos
nefastos sobre a competitividade da economia. Racionalizar e reduzir a
tributação contribui para a eficiência econômica e para um ambiente de
negócios mais favorável.
A infra-estrutura claudicante do país é fonte de grande preocupação da
indústria. Ter uma infra-estrutura de qualidade em transportes, energia,
telecomunicações e saneamento básico torna o país competitivo e eleva
a capacidade de atração de investimentos, nacionais ou estrangeiros, em
outros setores. O desenvolvimento da infra-estrutura não pode ser uma
tarefa apenas do setor público, até por conta da crise fiscal, e, por
isso, se torna imprescindível o desenvolvimento de marcos regulatórios
seguros para atrair capital privado.
O financiamento também é ponto nevrálgico. A disponibilidade de capital
a custos adequados melhora a competitividade das empresas e estimula o
investimento.
Quanto às relações do trabalho é imprescindível ter mais flexibilidade
nas negociações entre patrões e empregados, o que melhora a gestão empresarial,
aumenta a produtividade e cria alternativas de interesse mútuo. A indústria
sabe que o trabalho formal é benéfico para o trabalhador e para a economia.
Trabalhadores com vínculos formais são mais produtivos, melhor remunerados
e contribuem para a Previdência Social, diminuindo o desequilíbrio nas
contas do governo.
Um grande entrave ao crescimento econômico é a burocracia excessiva, que
gera ineficiência e custos. Os custos financeiros e de tempo desestimulam
a abertura e a sobrevivência de empresas de todos os portes, o que tem
reflexos no emprego e no investimento. A desburocratização reduz os gastos
e acelera o processo produtivo.
A inovação tecnológica é crucial para o aumento da produtividade, porque
reduz os custos produtivos, amplia a oferta de bens e serviços e melhora
a competitividade.
Mas inovação não existe sem educação. Para crescer, não basta ter capital
físico. É preciso que haja pessoas qualificadas para operá-lo e desenvolver
novas soluções e idéias.
Além disso tudo, a CNI acredita ainda ser de suma importância a existência
de uma política comercial e de acesso a mercados, uma vez que o comércio
internacional é fonte importante de crescimento. Vendas externas aumentam
a escala de produção, com redução de custos, ao mesmo tempo em que as
importações são fonte de atração de tecnologias novas. E as condições
macroeconômicas (câmbio, investimento e infra-estrutura) que permitem
exportações competitivas melhoram o ambiente empresarial e estimulam a
expansão do comércio, inclusive o interno.
Por fim, é imprescindível que as leis e ações públicas na área de meio
ambiente garantam, ao mesmo tempo, a segurança para os investimentos e
o desenvolvimento sustentável da economia. O marco regulatório do meio
ambiente e a ação discricionária dos órgãos públicos não podem criar obstáculos
aos investimentos públicos e privados.
O presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, reforça que “esses são os
10 principais pontos a serem atacados com vigor pelo poder público, pela
sociedade e pelo empresariado para que sejam criadas as condições para
um ciclo de crescimento sustentável e intenso no período entre 2007 e
2015”.
As informações são da Unicom - Assesoria de Comunicação da CNI